[RESENHA]: O Círculo

O círculo poderia se passar fácil por um longo episódio de Black Mirror.


Imagine viver num mundo onde cada segundo de cada coisa que acontece no mundo é registrada por câmeras e que tudo o que você faça fique registrado para que quiser ver, acabando com qualquer tipo de privacidade que você possa ter. Pois é, esse é o novo projeto de uma empresa chamada O círculo (claramente inspirado no Google e no Facebook) , empresa de tecnologia, que em seis anos de estrada já conseguiu se tornar a maior empresa do mundo, juntando todos os serviços essenciais em uma única rede social.

"Você sabe como é quando acaba de comer um saquinho de batatas fritas e fica com raiva de si mesmo? Você sabe que não fez nada de bom para si. É a mesma sensação e você sabe que é assim, depois de um porre digital. Você se sente exaurido, oco e diminuído."

Trabalhar no círculo se tornou um ideal para a maioria dos jovens ,é quando Mae, nossa personagem principal, que ainda tentando se encontrar, foi chamada por sua melhor amiga de faculdade, Annie, para trabalhar na maior empresa de tecnologia do mundo. Mae fica simplesmente encantada com a complexidade da empresa, com mais de 10 mil funcionários, você não precisa sair da empresa pra absolutamente NADA, tendo funcionário que até moram lá. Mae começa trabalhando em EC (Experiência do Cliente), onde tira dúvidas dos cliente sob determinados assuntos e o cliente avalia com foi seu atendimento em uma nota que varia de 0 a 100. Logo a média diária de Mae como iniciante é além do esperado, é quando ela começa a ganhar destaque na empresa. 

Chamando um pouco de atenção para si, Mae começa a ser questionada por seus superiores o fato de não se ater as redes sociais, não compartilhar o que vive, pois a empresa presa não apenas o bom serviço, mas também a interação social dos seus funcionários, onde TUDO, absolutamente tudo deve ser compartilhado, onde cada experiência sua de vida pode melhorar a vida de outra pessoa, e o seu nível de interação é avaliado conforme a sua presença nas redes. 

"Compartilhar é se importar."

O questionamento é o mesmo do episódio "Queda Livre" de Black Mirror, onde compartilhar é melhor que viver, onde curtidas contam como você será visto pelas pessoas, onde o não-social é visto como algo inadequado, e que cada vez mais você consome algo vazio. Essa hiper conectividade que está no nosso dia-dia é retratada no livro como corriqueiro mas que com o tempo beira a insanidade.

O livro em si é uma grande crítica ao mundo que vivemos cada vez mais corrido e agitado, onde não nos sobra tempo para nada e que a ansiedade e os anseios são cada vez mais frequentes, por esse lado o livro é ótimo, mas peca por enrolar muito, num livro de mais de 500 páginas, onde apenas umas 300 são realmente necessárias e com um final um tanto quanto previsível. 

A distopia fez tanto sucesso que ganhará uma adaptação para o cinema com Emma Watson e Tom Hanks, que tem sua estréia prevista aqui no Brasil para 11 de Maio.

Segue abaixo o pôster e trailer:



Título Original: The Circle
Autor: Dave Eggers
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 521
Brochura

Paulo Henrique

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